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Fórum Latino-Americano no Congresso SOBRICE propõe unificação do ensino em Radiologia Intervencionista

Notícias - 30/set

A Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular (SOBRICE) reuniu, no dia 30 de setembro, representantes de sete países para o I Fórum Latino-Americano para o Desenvolvimento da Radiologia Intervencionista (RI), realizado durante o seu 29º Congresso, em São Paulo.

Moderado pelo presidente da SOBRICE, Dr. Lucas Moretti Monsignore, e pela presidente da Sociedade Ibero-americana de Intervencionismo (SIDI), Dra. Micaela Arrieta Usta (Colômbia), o debate contou com apresentações dos representantes das sociedades latino-americanas: Dr. Shigeru Kozima (CARVI/Argentina), Dra. Fernanda Uchiyama Golghetto Domingos (SOBRICE/Brasil), Dr. Gian Paolo Zamboni T. (SOCHRADI/Chile), a própria Dra. Micaela Arrieta Usta (pela ACR/Colômbia), Dr. Carlos A. Alonzo Patrón (CMRITE/México), Dr. Héctor H. Tapia (SPRI/Panamá) e Dr. Piero Luis Mora Munares (Sociedade Peruana de Radiologia/Peru). Na plenária, havia ainda representantes de outros países da região, como Venezuela e Uruguai.

A metodologia do Fórum convidou o representante de cada país a responder, em uma breve apresentação, a cinco perguntas fundamentais:

  1. Qual é a situação atual da RI no seu país? (Existe uma sociedade nacional específica e quantos especialistas atuam?)
  2. Como a RI é oficialmente reconhecida (especialidade, subespecialidade, área de atuação ou sem reconhecimento) e qual órgão regula esse reconhecimento?
  3. Como é o modelo de formação: requisitos de ingresso, duração e existência de um currículo nacional?
  4. Como é feita a certificação profissional, quem a concede e se existe recertificação?
  5. Como uma maior colaboração entre as sociedades latino-americanas poderia contribuir para o desenvolvimento da RI no seu país?

O panorama traçado pelas respostas revelou um cenário de fortes desigualdades. Enquanto no Brasil a Radiologia Intervencionista é regulamentada como área de atuação (com matriz de competências e prova de título), no Chile é reconhecida como subespecialidade pelo CONACEM (desde 2026) e, na Colômbia, como segunda especialidade. Por outro lado, outros países enfrentam a ausência de reconhecimento oficial, a escassez de centros formadores e currículos com durações muito variáveis, de um a dois anos.

Apesar das diferenças, os países compartilham desafios comuns, como a concentração de especialistas nas capitais, o número insuficiente de centros de treinamento, a falta de recertificação e a baixa visibilidade da especialidade perante os pacientes e outros médicos. As divergências nos modelos de formação foram apontadas como um dos grandes gargalos para o desenvolvimento da área na América Latina. Os participantes destacaram a urgência de ampliar o número de profissionais capacitados, aumentar a oferta de vagas e estabelecer referências comuns para o ensino, respeitando as regulamentações de cada nação.

A discussão também abordou as dificuldades para o reconhecimento e a homologação da formação entre as fronteiras, visto que cada sistema possui regras próprias de certificação. Nesse contexto, debateu-se a viabilidade de construir diretrizes compartilhadas de ensino na América Latina, sem sobrepor as leis locais.

Para transformar essa realidade, as sociedades elaboraram uma declaração de intenções com foco na colaboração internacional. Entre as principais metas firmadas estão:

  • Institucionalização do Fórum: Tornar o encontro um evento anual para promover o diálogo contínuo.
  • Censo Regional: Mapear o número real de especialistas, centros formadores e equipamentos disponíveis em cada país.
  • Currículo Latino-Americano: Estabelecer um padrão mínimo de dois anos de formação dedicada, com metas de procedimentos, baseando-se nas diretrizes da SOBRICE e do CIRSE.
  • Intercâmbio e Apoio Mútuo: Promover o trânsito de professores e alunos, além de compartilhar estratégias para apoiar países que ainda buscam o reconhecimento legal da especialidade.

O documento final reforça que a proximidade linguística e cultural entre o espanhol e o português deve atuar como um fator de união, sendo fundamental para fortalecer a Radiologia Intervencionista, ampliar o acesso a tratamentos e garantir a excelência na formação médica em toda a América Latina.