Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular

TIPS COM EMBOLIZAÇÃO DE VARIZES ESOFÁGICAS

AUTORES

Gustavo Andrade, Eduardo Anacleto de Carvalho
IMIP – ANGIORAD, Recife - PE
 

RELATO DE CASO

J.B.A., feminino, 78 anos, com diagnóstico de hepatopatia crônica secundária a esquistossomose. Apresentou quadro de hemorragia digestiva alta (HDA) refratária ao tratamento clínico com Omeprazol, Propranolol e Octreotide, e, ao tratamento endoscópico com ligadura elástica (02 sessões). No último episódio de HDA teve sangramento volumoso sendo necessário o uso do Balão de Sengstaken Blackmore para conter o sangramento, além de necessitar de transfunsão de 07 bolsas de concentrado de hemácias para estabilizar hemodinamicamente. Após 48 horas do quadro inicial, o balão esofagogástrico foi, porém ocorreu novo episódio de HDA. Nesse momento fora indicado o implante de shunt portossistêmico intrahepático (TIPS) com possível embolização de varizes esofágicas.

Foi admitida na sala de hemodinâmica com pressão arterial (PA) de 80x40 mmHg e Hemoglobina (Hb) de 8,4 mg/dL após terem sidos transfundidos dois concentrados de hemácias após o último episódio de HDA.
 
TÉCNICA

Realizada cateterização seletiva da artéria mesentérica superior e portografia indireta (figura 1) com injeção de contraste a partir dessa artéria. Posteriormente, realizou-se punção da veia jugular interna direita e, através desse acesso vascular, realizou-se a cateterização da veia hepática direita (figura 2).

Em seguida, foi realizada punção da veia porta direita (transhepática) realizou-se uma portografia direta (figura 3), demonstrando a presença de varizes esofágicas (sem sinais sangramento ativo no momento). Realizado balonamento do trajeto veia hepática direita-veia porta direita com balão 6x40 mm (figura 4) e implante de stent (WALLSTENT) 10x68mm (figura 5).

Procedeu-se com o cateterismo da veia gástrica esquerda (figura 5 e 6) e realizou-se embolização das varizes com cola, Hystoacril 25%, (figura 7).

Após implante do stent e embolização das varizes gastroesofágicas, realizou-se novo balonamento com balão 8x40mm (figura 8).

A portografia direta após a confecção do TIPS e da embolização das varizes esofágicas, evidenciou shunt pérvio e ausência de opacificação das varizes (figura 9).

Paciente evoluiu com melhora clínica no pós-procedimento, sem novos episódios de sangramento digestivo.















Data de Publicação: 08/04/2014