Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular

MANEJO MULTIDISCIPLINAR DO CARCINOMA HEPATOCELULAR. AS POSSIBILIDADES DE MANEJO DO RADIOLOGISTA INTERVENCIONISTA EM UM MESMO PACIENTE,

AUTORES

Lucas Moretti Monsignore 1, Andreza Correa Teixeira 3, Valdair Francisco Muglia 2, Ênio David Mente 4, Ana de Lourdes Candolo Martinelli 3, Jorge Elias Junior 2, Daniel Giansante Abud 1
1 - Disciplina de Neurorradiologia Terapêutica e Radiologia Intervencionista; 2 - Disciplina de Radiologia do Abdome; 3 - Divisão de Gastroenterologia Clínica; 4 - Divisão de Cirurgia Digestiva do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP.
 

RELATO DE CASO

Paciente feminina, de 41 anos, portadora de hepatite B, sem estigmas de hepatopatia, descobriu lesão hepática focal situada entre os segmentos hepáticos 6 e 7 medindo 5,0 cm de maior diâmetro (figura 1). Em discussão multidisciplinar, foi optado por realizar quimioembolização transarterial, na tentativa de manter a paciente em critérios para transplante hepático, sendo naquele momento desconsiderada a possibilidade de ressecção hepática com intuito curativo devido à localização da lesão.


INTERVENÇÕES

A paciente foi então submetida a sessão de quimioembolização transarterial (figura 2), sendo os controles pós-procedimento realizados cerca de 1 mês e 3 meses após, com regressão das dimensões da lesão e ausência de realce, denotando resposta completa pelos critérios do mRECIST (figura 3).

Nova discussão multidisciplinar decidiu por embolização portal pré-operatória, realizada 8 meses após a quimioembolização (figura 4), com controle realizado 1 mês após (figura 5), demonstrando adequada hipertrofia do lobo hepático esquerdo, que possibilitou ressecção hepática 3 meses após a embolização portal. No intraoperatório foi realizada ultrassonografia que evidenciou outro pequeno nódulo no segmento hepático 2, que também foi ressecado.

A paciente evoluiu bem, sem novas lesões nos controles seguintes com ressonância magnética, sendo que cerca de 1 ano após a ressecção, a ressonância magnética evidenciou nova lesão sugestiva de hepatocarcinoma no fígado remanescente, sendo desta vez submetida a ablação percutânea por radiofrequência. Os controles com ressonância magnética realizados com 1 mês e 6 meses da radiofrequência evidenciaram resposta completa da lesão tratada pelos critérios do mRECIST (figura 6). A paciente encontra-se viva, com controles planejados a cada 3 meses.

 
FIGURAS



















 
DISCUSSÃO

O carcinoma hepatocelular (CHC) é o tumor hepático primário mais frequente, a quinta neoplasia primária mais comum e a terceira causa de morte relacionada a neoplasias1.

O manejo da doença é multidisciplinar e há diversas opções terapêuticas, dependendo das características tumorais (número, tamanho e localização), da função hepática e das condições clínicas do paciente.

Existem diversos guidelines para o diagnóstico e manejo da doença2,3.

O transplante hepático, a ressecção hepática e, recentemente, os métodos ablativos percutâneos, são considerados curativos para a neoplasia, dependendo de suas características e das condições clínicas do paciente. A quimioembolização transarterial é considerada paliativa ou adjuvante, em casos em que os tratamentos curativos não mais podem ser realizados ou na tentativa de manter o paciente em critérios para transplante hepático ou trazê-lo novamente a estes critérios (“downstaging”).

Este caso ilustra o manejo multidisciplinar e a gama de procedimentos realizados por Radiologista Intervencionista (quimioembolização transarterial4,5, embolização portal pré-operatória4 e ablação percutânea por radiofrequência6) em um paciente oncológico, com sucesso na cura e no controle da doença.


REFERÊNCIAS

1 - Gomes, M. A., Priolli, D. G., Tralhão, J. G. & Botelho, M. F. Carcinoma hepatocelular: epidemiologia, biologia, diagnóstico e terapias. Rev Assoc Med Bras (2013). doi:10.1016/j.ramb.2013.03.005
 
2 - Brown, D. B. et al. Quality improvement guidelines for transhepatic arterial chemoembolization, embolization, and chemotherapeutic infusion for hepatic malignancy. J Vasc Interv Radiol 23, 287–94 (2012).
 
3 - Llovet, J. M. et al. EASL-EORTC clinical practice guidelines: management of hepatocellular carcinoma. J Hepatol 56, 908–43 (2012).
 
4 - Yoo, H. et al. Sequential transcatheter arterial chemoembolization and portal vein embolization versus portal vein embolization only before major hepatectomy for patients with hepatocellular carcinoma. Ann Surg Oncol 18, 1251–7 (2011).
 
5 - Takayasu, K. Superselective transarterial chemoembolization for hepatocellular carcinoma: recent progression and perspective.Oncology 81 Suppl 1, 105–10 (2011).
 
6 - McWilliams, J. P. et al. Percutaneous ablation of hepatocellular carcinoma: current status. J Vasc Interv Radiol 21, S204–13 (2010).


 
Data de Publicação: 22/10/2014