Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular

SEGUIMENTO DE LONGO PRAZO DO ESTUDO DE ENDARTERECTOMIA VERSUS ANGIOPLASTIA EM PACIENTES SINTOMÁTICOS COM ESTENOSES CAROTÍDEAS DE ALTO GRAU (EVA-3S TRIAL)

 
Título original do artigo:
Long-Term Follow-Up Study of Endarterectomy Versus Angioplasty in Patients with Symptomatic Severe Carotid Stenosis Trial
Seguimento de Longo Prazo do Estudo de Endarterectomia Versus Angioplastia em Pacientes Sintomáticos com Estenoses Carotídeas de Alto Grau (EVA-3S Trial)

Referência Bibliográfica: J.-L. Mas, C. Arquizan, D. Calvet, A. Viguier, J.-F. Albucher, P. Piquet, P. Garnier, F. Viader, M. Giroud, H. Hosseini, G. Hinzelin, P. Favrole, H. Henon, J.-P. Neau, X. Ducrocq, R. Padovani, L. Milandre, F. Rouanet, V. Wolff, D. Stroke. 2014;45(9):2750-6.

Revisado por: Rubens Pierry Ferreira Lopes                                    

Contexto: Os principais estudos têm mostrado que a endarterectomia carotídea (ECA) é efetiva em reduzir o risco de acidente vascular encefálico (AVE) em pacientes com estenose carotídea de alto grau. Comparado com a ECA, a angioplastia carotídea com implante de stent (ACS) tem sido associada a um risco mais elevado de AVE relacionado ao procedimento ou óbito, uma diferença derivada principalmente por AVE’s não-debilitantes. No médio prazo, ambos os procedimentos parecem igualmente efetivos em prevenir AVE’s ipsilaterais, mas a eficácia a longo prazo ainda é desconhecida.
 
Os objetivos desse estudo foram:
1 - comparar o risco-benefício no longo prazo entre a ACS e ECA em pacientes sintomáticos com estenose carotídea de alto grau incluídos no EVA-3S Trial.
2 - comparar a eficácia no longo prazo dos dois tratamentos em termos de prevenir AVE ipsilateral recorrente além do período periprocedimento.
3 – avaliar a incidência de reestenose de alto grau ou oclusão.
 
Materiais e Métodos: EVA-3S Trial foi um estudo prospectivo, randomizado, multicêntrico, aberto e cego que objetivou comparar ECA e ACS em pacientes sintomáticos com estenose carotídea de alto grau publicado em 2006. Resumidamente, foram randomizados pacientes sintomáticos dentro do período de 120 dias antes da inclusão no estudo, portadores de estenoses ateroscleróticas entre 60 e 99% segundo os critérios do Estudo NASCET. Um total de 527 pacientes foram incluídos entre novembro de 2000 e setembro de 2005, época em que o estudo foi interrompido por recomendação do seu Comitê de Segurança. O Trial foi concluído em Dezembro de 2007. O seguimento subsequente dos pacientes foi feito retrospectivamente entre dezembro de 2011 e dezembro de 2012 através de uma entrevista telefônica estruturada com o paciente ou seus parentes, além de terem um novo ultrassom duplex realizado no laboratório vascular.
 
Resultados: O seguimento foi possível com 94% dos pacientes, não havendo diferença entre os dois grupos. Durante uma mediana de seguimento de 7,1 anos (variação interquartil, 5,1-8,8 anos; máximo 12,4 anos). O end point primário (AVE ipsilateral após randomização, AVE periprocedimento ou óbito) ocorreu em 30 pacientes do grupo ACS comparado com 18 pacientes do grupo ECA (probabilidade cumulativa 11,5% versus 7,6%; HR 1,70; IC 95%, 0,95-3,06; P=0,07). As taxas de qualquer AVE ou óbito periprocedimento e de AVE debilitante ou fatal ou óbito periprocedimento não diferiu significativamente entre os grupos, assim como as taxas de infarto agudo do miocárdio e procedimentos de revascularização carotídea.

Neste seguimento de longo prazo do estudo, o end point primário combinando segurança (AVE periprocedimento ou óbito) e eficácia (AVE ipsilateral) favoreceu a ECA. Por outro lado, taxas similarmente baixas de AVE ipsilateral ocorreram em ambos os grupos após o período periprocedimento, assim como baixas risco de estenose maior ou igual a 70% ou oclusão, além de baixas taxas de revascularização carotídea ipsilateral.
 
Conclusão: Este estudo possui algumas limitações, como a natureza retrospectiva do seguimento tardio, a heterogeneidade dos critérios do ultrassom duplex entre os diferentes laboratórios vasculares, diferenças no manejo dos fatores de risco e o baixo número de pacientes incluídos devido à sua interrupção precoce. Porém, o risco-benefício no seguimento a longo prazo favorece a ECA, diferença derivada principalmente de um risco aumentado de AVE periprocedimento, enquanto ambas as técnicas foram associadas com baixas e similares riscos de AVE ipsilateral após o período periprocedimento. Neste contexto, a ACS poderia se tornar uma alternativa à ECA em pacientes sintomáticos que apresentem risco pré-procedimento similar para ACS ou ECA (< 70 anos) em centros com especialistas certificados na técnica.
 
Data de Publicação: 15/10/2014