Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular

EMBOLIZAÇÃO DAS ARTÉRIAS UTERINAS VERSUS MR-G HIFU (MR-GUIDED HIGH-INTENSITY FOCUSED ULTRASOUND) NO TRATAMENTO DOS MIOMAS UTERINOS: RESULTADOS DO SEGUIMENTO DE LONGO PRAZO

 
Título do artigo original:
Outcome of uterine artery embolization versus MR-guided high-intensity focused ultrasound treatment for uterine fibroids: Long-term results
Embolização das artérias uterinas versus MR-g HIFU (MR-guided high-intensity focused ultrasound) no tratamento dos miomas uterinos: resultados do seguimento de longo prazo

Referência Bibliográfica: Froeling V, Meckelburg K, Schreiter NF, Scheurig-Muenkler C, Kamp J, Maurer MH, Beck A, Hamm B, Kroencke TJ. Eur J Radiol. 2013,82:2265-69

Revisado por: Dr. Joaquim Maurício da Motta Leal Filho – Diretor da SOBRICE (biênio 2013-2014)

Contexto: Nas últimas duas décadas muitos foram os tratamentos propostos para os miomas uterinos sintomáticos. Assim como, nesse mesmo período, aumentou o número de mulheres que desejam tratar os seus miomas preservando o útero, são as chamadas “poupadoras de útero” (uterus-sparing). Na última década, a embolização das artérias uterinas (EAU) para o tratamento dos miomas uterinos se consolidou como a principal terapia minimamente invasiva (líder) entre os procedimentos minimamente invasivos. Apesar de, desde 2004, o FDA ter aprovado oMR-guided high-intensity focused ultrasound (MR-g HIFU) para o tratamento de miomas uterinos.
Portanto, dispomos de dois métodos de tratamento minimamente invasivos e que utilizam a radiologia (tecnologia e equipamentos radiológicos) como base do tratamento. É a radiologia intervencionista. As perguntas que vêm em seguida são: os dois métodos são eficazes? Melhoram os sintomas e a qualidade de vida das mulheres que os utilizam? Qual deles é o melhor?

Nesse contexto, um grupo alemão publicou este artigo no final do ano passado, em que eles compararam os resultados de longo prazo (cinco anos) dos dois métodos minimamente invasivos supracitados. O artigo é inédito, pois, até a presente data, é o único artigo publicado que compara os métodos no longo prazo.

Materiais e Métodos: Foram selecionadas 77 mulheres, prospectivamente, com média de idade 39,3 anos, portadoras de miomas uterinos sintomáticos, todas elegíveis para serem tratadas pelos dois métodos minimamente invasivos. Quarenta e uma mulheres foram submetidas à EAU e 36 à MR-g HIFU no período de 2002 a 2009.

Foram avaliados, retrospectivamente: endpoint primário: taxa de reintervenções; endpoint secundário: melhora dos sintomas e da qualidade de vida (antes da embolização e durante o acompanhamento).

Resultados: A taxa de reintervenção foi significativamente mais baixa nas pacientes tratadas com EAU (12,2%) do que nas pacientes tratadas com MR-g HIFU (66,7% no segmento de longo prazo (p <0,001). A média de segmento das pacientes submetidas à EAU foi de 61,9 meses, enquanto que a média de seguimento das pacientes submetidas à MR-g HIFU foi de 60,7 meses.

Também, a melhora dos sintomas e da qualidade de vida foram significativamente melhores nas pacientes submetidas à EAU com p<0,019 e 0,049, respectivamente.

Conclusões: As melhorias dos sintomas e da qualidade de vida foram, significativamente, melhores nas pacientes submetidas à EAU, resultando numa taxa significativamente baixa de reintervenções se comparada à taxa de reintervenções MR-g HIFU. Portanto mulheres que desejam um tratamento mais definitivo devem realizar a EAU. Já as mulheres que ainda desejam engravidar, parece, que o MR-g HIFU seria o melhor tratamento.

 
Data de Publicação: 08/12/2014