Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular

EFICÁCIA DA TERAPIA DE DENERVAÇÃO RENAL NO TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO RESISTENTE. REVISÃO SISTEMÁTICA E METANÁLISE

Título do artigo original:
Effectiveness of Renal Denervation Therapy for Resistant Hypertension. A Systematic Review and Metanalysis
(Eficácia da Terapia de Denervação Renal no Tratamento da Hipertensão Resistente. Revisão Sistemática e Metanálise)

Referência Bibliográfica: Mark I. Davi, Kristian B. Filion, David Zhang et al. J Am Coll Cardiol. 2013 Jul 16;62(3):231-41

Revisado por: Rafael Noronha Cavalcante

Contexto: Hipertensão resistente é definida como a pressão sistólica não controlada apesar da terapia com um número ³ que 3 drogas anti hipertensivas diferentes, incluindo um diurético. A hipertensão resistente é encontrada em até 20% dos pacientes hipertensos.

A simpatectomia cirúrgica era realizada antigamente e levava a redução significativa da pressão arterial, porém associada a alta morbidade. A simpatectomia percutânea desponta como método seguro de ablação das fibras simpáticas ao longo da artéria renal com um probe de radiofrequência.
 
Materiais e Métodos: Foi realizada revisão sistemática da literatura e metanálise de artigos publicados avaliando o efeito da denervação renal simpática em pacientes com hipertensão resistente.

Foram pesquisadas as plataformas Pubmed, EMBASE e Cochcrane, utilizando-se as palavras-chave "denervação renal", "pressão arterial" e "hipertensão". A pesquisa foi limitada a artigos publicados em inglês nos últimos cinco anos.

Foram incluídos estudos randomizados e observacionais comparando a resposta pressórica de pacientes submetidos à denervação renal em relação aos tratados com a melhor terapia médica (estudos controlados), e estudos observacionais comparando a resposta pressórica em um mesmo grupo de pacientes antes e depois da denervação renal (estudos não controlados).

Os critérios de inclusão foram:
1. Denervação por radiofrequência realizada por cateteres e probes de uso atual.
2. Pacientes com hipertensão refratária apesar do uso de três ou mais antihipertensivos de classes diferentes.
3. Pelo menos 10 pacientes no estudo.
4. Seguimento de pelo menos três meses.
O desfecho primário avaliado foi a redução média da pressão sistólica e diastólica após 3 a 6 meses da denervação renal.
Os desfechos secundários incluíram:
1. Taxa de pacientes não responsivos (caracterizada pela não redução de pelo menos 10 mmHg na pressão sistólica).
2. Redução média da pressão sistólica de acordo com o tipo de cateter.
3. Taxa de complicações do procedimento e eventos adversos, incluindo morte por qualquer causa.
 
Resultados: A revisão da literatura identificou 294 trabalhos potencialmente relevantes. Após avaliação pelos critérios de inclusão e sobreposição de parte mesma casuística em alguns artigos, 12 estudos foram incluídos na revisão sistemática, englobando 561 pacientes tratados entre 2008 e 2012.

Nos estudos controlados, observou-se uma redução média da pressão sistólica e diastólica após 6 meses de 28.9 mmHg e 11 mmHg, respectivamente, com a denervação em comparação com a melhor terapia médica (p<0.0001).

Nos estudos não controlados, observou-se uma redução média da pressão sistólica e diastólica após 6 meses de 25 mmHg e 10 mmHg, respectivamente, comparando-se os períodos antes e depois da denervação renal (p<00001).

A taxa de pacientes não responsivos foi de 13.3%. Cinco tipos diferentes de cateter foram utilizados nos 12 estudos: não houve diferença do efeito da denervação entre os diferentes tipos de cateter. Foram relatadas cinco complicações do procedimento (<1%), que incluíram uma dissecção de artéria renal e quatro pseudoaneurismas femorais.
 
Conclusão: Os dados atualmente disponíveis sugerem que a denervação simpática renal resulta em uma redução substancial da pressão arterial após 6 meses, em pacientes com hipertensão refratária. Com poucos eventos adversos relatados, os dados sugerem que a denervação renal é um procedimento seguro. Grandes estudos randomizados e controlados, com seguimento de longo prazo são necessários para confirmar a eficácia e segurança da denervação neste grupo de pacientes.

 
Data de Publicação: 25/06/2014